Forte tempestade na madrugada de sexta-feira danificou torres de transmissão, escolas e postos de saúde, e levou o governo federal a liberar ajuda emergencial.
A região de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, ainda tentava se recuperar neste fim de semana de um dos temporais mais fortes de sua história recente. Na madrugada do dia 24 de julho, ventos que chegaram à velocidade de 122 km/h atingiram a cidade e municípios vizinhos, causando danos consideráveis à rede de energia elétrica. Para quem mora na região, a dúvida que mais se repete nos últimos dias é simples: quando a luz volta e quem vai pagar pela reconstrução do que foi destruído. Encontraribeiraopreto
O estrago não ficou restrito a Ribeirão Preto. Cidades como Dumont, Barrinha, Guariba, Santa Ernestina, Sertãozinho e Taquaritinga também foram atingidas, com árvores derrubadas sobre fiações e diversos pontos de interrupção no fornecimento de energia. A dimensão do problema levou concessionárias e prefeituras a montar uma força-tarefa que segue em operação neste domingo. Encontraribeiraopreto
O que aconteceu na madrugada de sexta-feira
Segundo a concessionária CPFL Paulista, cerca de 115.180 unidades consumidoras ficaram sem energia elétrica logo após a passagem do temporal, que combinou chuva intensa, rajadas de vento e descargas atmosféricas. Para tentar normalizar o fornecimento, a empresa mobilizou cerca de 250 equipes, incluindo profissionais vindos de cidades como Franca, Araraquara, Campinas e Piracicaba para reforçar o trabalho de restabelecimento do serviço. EncontraribeiraopretoEncontraribeiraopreto
O impacto não se limitou à falta de luz. Algumas áreas da região também registraram falhas na telefonia e na internet, o que aumentou a preocupação de moradores que dependem desses serviços no dia a dia. Diante do risco de fios soltos e equipamentos energizados, a orientação da concessionária tem sido clara: quem encontrar um fio caído não deve se aproximar nem tentar tocá-lo, e a recomendação é buscar ajuda imediatamente, além de usar lanternas com cautela para evitar incêndios. EncontraribeiraopretoEncontraribeiraopreto
Passados dois dias do temporal, a situação melhorou, mas está longe de resolvida. Segundo boletim divulgado às 6h deste domingo, 2% das casas afetadas em Ribeirão Preto ainda estavam sem energia, enquanto cerca de 15 mil residências nas cidades vizinhas de Taquaritinga, Dumont e Guariba continuavam no escuro, com a situação mais grave justamente em Guariba, onde 13 mil casas seguiam sem luz. A CPFL Paulista informou que concentra esforços na reconstrução de 54 torres de transmissão danificadas e na substituição de mais de 250 postes derrubados pelo temporal. Correio do BrasilCorreio do Brasil
O tamanho dos danos e a resposta das prefeituras
Além da rede elétrica, a estrutura pública da região também sofreu com a força dos ventos. De acordo com a prefeitura de Ribeirão Preto, 41 escolas tiveram danos estruturais, sendo que cinco delas ficaram severamente danificadas, enquanto na área da saúde 29 prédios foram atingidos, incluindo 20 unidades básicas de saúde. O próprio poder público reconhece que o problema ultrapassa sua capacidade orçamentária. Segundo a administração municipal, os recursos necessários para reconstruir os prédios públicos afetados superam o que está disponível no orçamento da cidade neste momento. Correio do BrasilCorreio do Brasil
Diante da gravidade da situação, os municípios recorreram ao instrumento legal que permite acesso mais rápido a recursos extraordinários. As cidades de Ribeirão Preto e Taquaritinga decretaram estado de emergência por 180 dias, medida que facilita a mobilização de recursos e a organização de uma força-tarefa envolvendo governo estadual e federal para a recuperação da infraestrutura danificada. Encontraribeiraopreto
Esse tipo de decreto costuma acelerar processos que, em condições normais, levariam meses para tramitar, como a liberação de verbas emergenciais e a dispensa de licitação para obras urgentes. No caso de Ribeirão Preto, a expectativa das autoridades locais é que a combinação entre recursos próprios, estaduais e federais permita restabelecer a rotina das escolas e unidades de saúde antes do fim do prazo do decreto.
A ajuda do governo federal e o que muda para os moradores
A resposta do governo federal veio de forma rápida. O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, esteve neste sábado em Ribeirão Preto e informou que, com o reconhecimento do Estado de Emergência dos municípios da região, o governo federal vai iniciar os aportes às prefeituras para a reconstrução das áreas afetadas. Segundo Alckmin, os recursos vão cobrir tanto a ajuda humanitária, que inclui alimentos, colchões, kit de limpeza e kit dormitório, quanto a reconstrução de prédios públicos e de moradias civis, como unidades habitacionais. PB NordestePB Nordeste
Para as famílias que perderam bens ou tiveram a casa danificada, há ainda uma medida financeira específica. O vice-presidente informou que os moradores afetados pelo temporal poderão solicitar na Caixa a liberação de 50% dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Segundo Alckmin, a lógica da ajuda federal é simples: o dinheiro vai direto para a prefeitura, que fica responsável por fazer as compras necessárias junto ao comércio local, em vez de o governo enviar os itens já prontos. PB Nordeste
Enquanto os recursos federais começam a chegar, moradores da região seguem organizando a rotina em meio à falta de luz e aos danos visíveis nas ruas. A expectativa das concessionárias é normalizar o fornecimento de energia nos próximos dias, mas a reconstrução de escolas, postos de saúde e da rede elétrica deve se estender por semanas, à medida que prefeituras, estado e União ajustam o repasse dos recursos anunciados neste fim de semana.
Fontes:
Encontra Ribeirão Preto, temporal e danos à energia | Encontra Ribeirão Preto, 115 mil imóveis sem luz | Correio do Brasil