O empresário Tiago Oliva Schietti acompanha com atenção o crescimento do consórcio para reforma, hoje a maior fatia dentro do consórcio de serviços, já que reformar a casa costuma ser um projeto que se planeja com anos de antecedência.
Segundo levantamentos do setor, os chamados serviços residenciais, categoria que reúne pequenas reformas, projetos de arquitetura, pintura e móveis planejados, respondem por mais da metade de todo o consórcio de serviços contratado no país. O número reflete uma característica bem brasileira: a reforma é, para muitas famílias, um projeto adiado por anos até que o orçamento permita.
A diferença entre consórcio de imóvel e consórcio para reforma
É comum haver confusão entre as duas modalidades. O consórcio de imóvel forma um grupo destinado à aquisição de um bem imobiliário, um apartamento, uma casa ou um terreno, por exemplo. Já o consórcio para reforma é uma modalidade de consórcio de serviços, com carta de crédito voltada especificamente para obras, projetos de arquitetura, mão de obra especializada e materiais de construção em um imóvel que o consorciado já possui.
Tiago Oliva Schietti sustenta que essa distinção é importante porque as duas modalidades têm valores de cota, prazos e perfis de consorciados bastante diferentes: enquanto o consórcio de imóvel costuma envolver valores mais altos e prazos mais longos, o consórcio para reforma tende a ser mais acessível, o que explica parte de sua popularidade.
O que pode ser contratado com a carta de crédito?
Dentro das regras estabelecidas pelo Banco Central para o consórcio de serviços, a carta de crédito de reforma pode ser usada para uma ampla gama de necessidades: desde reparos pontuais, como consertos de telhado e tratamento de infiltrações, até reformas completas, contratação de arquitetos, engenheiros, marceneiros e outros profissionais especializados. Também é possível utilizar o crédito para móveis planejados, um dos itens mais procurados dentro dessa categoria, como observa Tiago Oliva Schietti ao comentar as tendências recentes do setor.

Por que a reforma combina bem com o formato de consórcio?
O empresário pondera que a reforma é, por natureza, um projeto que raramente precisa ser executado com urgência absoluta, o que a torna especialmente compatível com a lógica do consórcio, em que a contemplação não tem data garantida. Diferentemente de uma emergência, como um vazamento que precisa de reparo imediato, a maior parte das reformas planejadas admite alguma flexibilidade de prazo, o que reduz o principal risco associado a essa modalidade de crédito.
Convém lembrar que, como o valor da parcela é definido a partir do custo total do projeto dividido pelo prazo do grupo, o consórcio acaba funcionando como uma forma de disciplina financeira: o consorciado se organiza para pagar por uma reforma antes mesmo de começar a obra, em vez de recorrer a um empréstimo depois que os gastos já começaram.
Pontos de atenção antes de contratar
Antes de aderir a um consórcio para reforma, é importante confirmar exatamente quais itens estão cobertos pela carta de crédito daquele grupo específico, já que as regras podem variar entre administradoras. Também vale considerar se o valor da cota é compatível com uma estimativa realista do custo da obra, incluindo mão de obra e materiais, e verificar as condições de contemplação por sorteio e lance, entendendo que o cronograma da reforma pode precisar se ajustar ao momento em que a carta de crédito for liberada.
Tiago Oliva Schietti observa de perto as mudanças no comportamento do consumidor brasileiro; o crescimento do consórcio para reforma é um bom exemplo de como o sistema de consórcios vem se adaptando a necessidades cada vez mais específicas do dia a dia das famílias. Como em qualquer modalidade de crédito, a recomendação continua sendo a mesma: simular o projeto com cuidado e buscar orientação profissional antes de assumir o compromisso.