O mercado de trabalho brasileiro encerrou o trimestre até agosto de 2026 com sinais positivos, mas ainda marcado por um desafio estrutural. A taxa de desemprego caiu para 5,3%, o menor nível registrado para esse período desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012. Ao mesmo tempo, a informalidade alcançou 37,5% dos trabalhadores, o equivalente a aproximadamente 38,8 milhões de pessoas.
Os dados foram divulgados em 29 de setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), conforme reportado pela Agência Brasil. O resultado indica que a recuperação do emprego não pode ser avaliada apenas pela redução da desocupação. A qualidade dos vínculos e o grau de proteção oferecido aos trabalhadores também fazem parte do retrato do mercado.
Queda do desemprego convive com informalidade elevada
A PNAD Contínua apontou recordes na população ocupada, no número de trabalhadores com carteira assinada, na massa salarial e na quantidade de contribuintes para a Previdência. Em conjunto, esses indicadores sugerem uma expansão relevante da atividade profissional e da renda gerada pelo trabalho.
O contraponto é que mais de um terço dos trabalhadores ainda está na informalidade. Em geral, essas pessoas não contam com a mesma proteção associada aos empregos formais, como seguro-desemprego, férias remuneradas e décimo terceiro salário. A elevada participação de ocupações informais limita o alcance social de uma taxa de desemprego mais baixa e mantém parte da força de trabalho exposta a maior instabilidade.
Por isso, os números do trimestre encerrado em agosto apresentam duas dimensões simultâneas. De um lado, há mais pessoas ocupadas e uma menor parcela da população procurando trabalho sem encontrar uma vaga. De outro, uma parcela expressiva dos ocupados permanece sem a rede de direitos normalmente associada ao emprego com carteira ou a outros vínculos protegidos.
Emprego formal também avança em 2026
Os dados do Novo Caged reforçam a leitura de crescimento das contratações formais. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, o país abriu 165.827 postos formais em agosto. No acumulado entre janeiro e agosto de 2026, o saldo chegou a 1.134.033 empregos.
O setor de serviços liderou a geração de vagas no acumulado do ano, seguido por construção e indústria. A distribuição mostra que o desempenho do mercado de trabalho não depende de uma única área da economia. Ainda assim, a expansão de postos formais precisa ser observada junto com a persistência da informalidade, que revela que o crescimento das contratações registradas não alcança todos os trabalhadores da mesma maneira.
É importante não confundir os dois levantamentos. A PNAD Contínua acompanha o conjunto do mercado de trabalho, incluindo ocupações formais e informais. Já o Novo Caged se concentra principalmente nos vínculos formais registrados. Assim, os resultados podem ser complementares, mas não representam exatamente a mesma dimensão do emprego.
O que os indicadores revelam sobre a recuperação
A combinação dos dados aponta para um mercado aquecido em comparação com períodos de maior desocupação. O recorde de ocupação indica que mais pessoas estão trabalhando, enquanto o avanço da massa salarial sinaliza impacto sobre a renda agregada. A maior quantidade de contribuintes para a Previdência também pode fortalecer o financiamento do sistema, desde que o movimento seja sustentado.
Ao mesmo tempo, a taxa de informalidade de 37,5% mostra que a melhora quantitativa ainda não resolveu problemas relacionados à estabilidade, à remuneração e à proteção social. A existência de trabalho não significa, necessariamente, acesso uniforme a direitos trabalhistas ou previdenciários. Esse é um dos principais limites de uma análise baseada exclusivamente na taxa de desemprego.
O cenário também coloca desafios para as políticas públicas. A manutenção de empregos formais pode ampliar a segurança das famílias, a arrecadação previdenciária e a capacidade de planejamento financeiro dos trabalhadores. Já a redução da informalidade depende de condições econômicas e institucionais capazes de estimular vínculos protegidos, sem desconsiderar as diferenças entre serviços, construção, indústria e outras atividades.
Os números divulgados em setembro, portanto, oferecem uma notícia positiva, mas não encerram o debate. O desemprego no Brasil caiu ao menor nível para o trimestre até agosto desde 2012, e o emprego formal avançou no acumulado do ano. Porém, a presença de aproximadamente 38,8 milhões de trabalhadores informais indica que o próximo passo é transformar a expansão da ocupação em trabalho mais protegido, estável e sustentável.
Fontes utilizadas
Agência Brasil, com dados da PNAD Contínua divulgados em 29 de setembro de 2026; e Ministério do Trabalho e Emprego, com os resultados do Novo Caged de agosto de 2026.