O empreendedorismo exige mudanças que vão além da escolha de novos produtos ou mercados. Fredy da Silva Gonçalves Bento, que começou sua trajetória por volta dos anos 2000 vendendo roupas em um quarto de sua casa, no bairro Parque Bitarú, em São Vicente, construiu ao longo de mais de duas décadas uma atuação em diferentes segmentos empresariais. Essa evolução permite discutir uma questão importante: as características que ajudam alguém a iniciar um negócio continuam sendo suficientes quando a empresa cresce?
Por que o empreendedor precisa mudar conforme cresce?
Nos primeiros anos de uma atividade comercial, é comum que o proprietário concentre diferentes responsabilidades. Comprar mercadorias, negociar preços, atender consumidores e acompanhar pagamentos são tarefas que podem ser realizadas diretamente por uma única pessoa. Essa participação permite conhecer profundamente a operação, mas também estabelece uma rotina baseada na execução individual das atividades, dificultando a distribuição de funções quando surgem novas demandas.
Quando o negócio cresce, entretanto, a quantidade de decisões aumenta e a supervisão direta de todos os processos se torna menos viável. O empresário precisa organizar equipes, estabelecer responsabilidades e desenvolver mecanismos de acompanhamento. Continuar executando pessoalmente todas as tarefas pode provocar atrasos e dificultar a expansão, especialmente quando diferentes departamentos dependem de suas autorizações para solucionar problemas cotidianos e manter o funcionamento das operações.
Essa transformação exige abandonar a ideia de que conhecer cada detalhe significa necessariamente controlar tudo, destaca Fredy da Silva Gonçalves Bento. A experiência acumulada continua importante, mas precisa ser utilizada para orientar decisões estratégicas. Assim, o profissional que inicialmente dependia de sua capacidade de vender passa a precisar também de competências relacionadas à liderança, ao planejamento e à organização administrativa, fundamentais para coordenar equipes e acompanhar resultados sem centralizar todas as decisões.
Como diferentes mercados transformam a visão empresarial?
A entrada em novos segmentos exige compreender características que não estavam presentes nas atividades anteriores. No comércio de roupas, por exemplo, a seleção de mercadorias, a formação de preços e o relacionamento com consumidores possuem grande relevância. Já na gastronomia, questões como conservação de alimentos, controle de desperdícios e organização do atendimento acrescentam responsabilidades específicas.
A trajetória de Fredy Restrito contempla essa mudança de ambientes empresariais. Depois de iniciar suas atividades no varejo e desenvolver a marca Restrito, o empreendedor passou a atuar também na gastronomia, com negócios como o Capitães e o Hina Restaurante, este último desenvolvido em parceria com sua irmã, Milena da Silva. A experiência em diferentes setores permite observar como modelos comerciais exigem formas distintas de organização.
O que acontece quando o empresário não acompanha a empresa?
Uma das dificuldades do crescimento está na permanência de hábitos administrativos que funcionavam apenas em estruturas menores. A centralização de decisões, por exemplo, pode ser eficiente quando existem poucos funcionários e operações simples. Entretanto, em empresas maiores, esse comportamento tende a criar gargalos, especialmente quando gestores precisam aguardar autorizações para resolver questões rotineiras.
Outro problema envolve a dificuldade de delegar responsabilidades. Empresários acostumados a executar pessoalmente determinadas atividades podem resistir à transferência de funções por receio de perder qualidade ou controle. Contudo, a delegação acompanhada de treinamento, indicadores e critérios de avaliação permite distribuir tarefas sem eliminar a supervisão necessária.
Na trajetória de Fredy da Silva Gonçalves Bento, a atuação atual na Litoral Mobilidade representa uma estrutura diferente daquela existente no início de sua vida empresarial. A empresa possui mais de 40 colaboradores, centro de distribuição próprio e operações relacionadas à importação e comercialização de veículos elétricos. Uma organização com essas características demanda processos administrativos capazes de funcionar além da participação direta do fundador em cada atividade.