Levantamento vai visitar 140 mil domicílios até novembro e incluir exames gratuitos para monitorar doenças crônicas dos brasileiros.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística deu início à coleta da terceira edição da Pesquisa Nacional de Saúde, realizada em parceria com o Ministério da Saúde. Cerca de 1,8 mil entrevistadores vão visitar aproximadamente 140 mil domicílios espalhados por todos os estados brasileiros até o dia 30 de novembro, buscando informações sobre condições de saúde, hábitos de vida, acesso a serviços médicos e ocorrência de doenças crônicas. A pesquisa é feita por amostragem e representa a terceira rodada do levantamento desde sua criação, depois das edições de 2013 e 2019. Os dados coletados devem orientar políticas públicas ligadas ao Sistema Único de Saúde e ajudar no acompanhamento de metas nacionais e internacionais relacionadas ao setor.
Como funciona a coleta feita pelos entrevistadores do IBGE
A novidade mais relevante desta edição é a inclusão de exames gratuitos de sangue e urina, aplicados entre julho e outubro em uma amostra de 15 mil a 20 mil moradores com 35 anos ou mais, residentes em capitais e regiões metropolitanas. Os participantes selecionados vão receber, sem custo, resultados de hemograma, lipidograma, hemoglobina glicada, além de exames de função renal e sorologia para chikungunya, entre outras análises. Também será verificada a presença de metais pesados no organismo, como chumbo e mercúrio, o que permite avaliar o grau de exposição ambiental da população em diferentes regiões do país.
Para garantir a segurança e a confiabilidade da coleta, todos os entrevistadores passaram por treinamento específico, que incluiu aplicação de questionários e procedimentos de antropometria, como medição corporal e aferição de pressão arterial. Cada profissional estará identificado com crachá, uniforme institucional e um dispositivo eletrônico usado para registrar as respostas em campo. O IBGE orienta que qualquer morador pode confirmar a identidade do entrevistador consultando o site oficial da pesquisa ou ligando para um número gratuito de atendimento, disponível de segunda a sábado.
A expectativa do instituto é que a ampla cobertura geográfica do levantamento permita traçar um retrato atualizado da saúde da população dez anos depois da primeira edição, com destaque para mudanças em hábitos de vida e no acesso a serviços médicos observadas ao longo da última década, período marcado pela pandemia de covid-19 e por transformações relevantes no perfil demográfico do país.
Por que os dados da pesquisa importam para o cidadão
Os resultados da Pesquisa Nacional de Saúde costumam servir de referência direta para o planejamento de ações do SUS, além de orientar investimentos em atenção básica, campanhas de prevenção e políticas voltadas a doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. Gestores estaduais e municipais também utilizam esses dados para direcionar recursos a regiões com maior vulnerabilidade sanitária, o que reforça a importância da adesão da população à pesquisa mesmo diante da rotina corrida do dia a dia.
Para quem for selecionado a participar da etapa de biomarcadores, a coleta de sangue e urina representa também uma oportunidade prática, já que os resultados dos exames são entregues gratuitamente ao morador, permitindo identificar precocemente alterações metabólicas ou renais que muitas vezes passam despercebidas sem acompanhamento médico regular. Especialistas em saúde pública costumam destacar que esse tipo de levantamento amostral, quando bem conduzido, consegue captar tendências que passariam despercebidas em estatísticas hospitalares isoladas, justamente por alcançar domicílios que nem sempre estão em contato frequente com o sistema de saúde.
A adesão da população tende a ser decisiva para a qualidade final dos dados. Como a metodologia depende de amostragem representativa, cada recusa ou dificuldade de acesso a um domicílio sorteado pode reduzir a precisão das conclusões, especialmente em regiões menos povoadas, onde o número de entrevistas planejadas já é naturalmente mais restrito. Por isso, o IBGE reforça a orientação para que moradores verifiquem a identificação oficial dos entrevistadores e colaborem com o levantamento sempre que forem procurados durante os próximos meses de trabalho de campo.
A Pesquisa Nacional de Saúde segue como um dos principais instrumentos de diagnóstico sanitário do país, e o resultado desta edição deve ficar disponível somente depois do encerramento da coleta, prevista para o fim de novembro. Até lá, o IBGE reforça que a participação voluntária da população é o que garante a confiabilidade de um levantamento que, historicamente, influencia decisões de saúde pública em todas as esferas de governo.
Fontes consultadas:
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-07/ibge-inicia-coleta-da-pesquisa-nacional-de-saude-2026