Como sugere o superintendente geral Ian Cunha, os dados no SUS são a matéria-prima de qualquer planejamento sério em saúde pública. Sem informação confiável, decisões viram suposições, recursos são alocados com baixa precisão e políticas bem-intencionadas perdem impacto. Em sistemas complexos, o que não é medido com consistência é interpretado com ruído.
O SUS opera em escala continental, com múltiplos níveis de atenção, diversidade regional e desafios históricos de infraestrutura. Nesse cenário, dados não servem apenas para “prestar contas”; eles determinam como se enxerga a demanda, onde se investe e como se avalia o que está funcionando. Se você quer entender por que qualidade de dados não é detalhe técnico, mas condição para eficiência e equidade, continue a leitura.
Quando a informação vira decisão?
De acordo com o fundador Ian Cunha, a qualidade de informação melhora a capacidade de identificar prioridades reais. Ela mostra onde a demanda está concentrada, quais condições geram mais procura, quais regiões estão mais vulneráveis e quais gargalos se repetem. Isso permite que gestores planejem com mais racionalidade, reduzindo desperdício e aumentando previsibilidade.

Quando os dados são consistentes, também fica mais fácil avaliar políticas públicas. Programas de prevenção, campanhas e reorganizações de fluxo podem ser medidos com maior clareza. Assim, as decisões deixam de depender de impressão e passam a depender de evidência. Dados no SUS aumentam a chance de o investimento público gerar impacto real.
O problema do dado ruim: ruído que custa tempo, dinheiro e saúde
Dados incompletos, despadronizados ou atrasados geram uma sequência de distorções. A demanda pode parecer menor do que é, ou maior do que é, apenas por falha de registro. O resultado é alocação errada: profissionais e insumos vão para onde o sistema “acha” que precisa, não para onde realmente precisa.
Além disso, dado ruim dificulta a integração. Diferentes bases que não conversam produzem redundância e falhas de continuidade do cuidado. O paciente circula pelo sistema sem que a informação acompanhe, e isso aumenta repetição de exames, retrabalho e risco clínico. Portanto, o problema não é apenas administrativo; ele afeta diretamente eficiência assistencial.
Dados no SUS e tecnologia: IA não resolve informação fraca
Há um entusiasmo crescente com IA, automação e análises avançadas. Contudo, tecnologia não corrige a origem. Se a informação é falha, o algoritmo aprende o erro e devolve recomendações com aparência técnica. Por conseguinte, investir em inteligência sem investir em base informacional é inverter prioridades.
Como considera o CEO Ian Cunha, em sistemas públicos, essa inversão gera riscos: decisões automatizadas podem ampliar desigualdades e reforçar vieses se os dados refletem distorções históricas de acesso e registro. Assim, dados no SUS precisam ser tratados como infraestrutura: primeiro qualidade, depois sofisticação.
Por que o sistema depende disso?
Como elucida o fundador Ian Cunha, dados também sustentam confiança institucional. Quando a informação é consistente, o cidadão percebe maior previsibilidade: agendamentos, encaminhamentos e fluxos ficam menos caóticos. Quando a informação falha, a percepção é de desorganização, e desorganização reduz adesão a políticas de prevenção e acompanhamento.
Além disso, dados confiáveis ajudam a transparência. Eles permitem que gestores e sociedade enxerguem o que está mudando, onde o esforço está concentrado e por que certas decisões foram tomadas. Essa clareza é parte da legitimidade do sistema.
Qualidade muda tudo porque muda o que é possível fazer
Como pontua o superintendente geral Ian Cunha, os dados no SUS são decisivos porque determinam a qualidade das escolhas em saúde pública. Informação consistente melhora planejamento, reduz desperdício, facilita integração do cuidado e protege decisões contra achismos. Sem base informacional sólida, qualquer tentativa de modernização vira promessa frágil.
Quando a qualidade da informação melhora, o SUS ganha algo raro em sistemas de grande escala: capacidade de aprender com o próprio funcionamento e de corrigir rotas com mais rapidez e menos custo.
Autor: Kalamara Rorys